BETÃO MARQUES DE SOUZA

Mestre do estilo, foto publicada na revista BRASIL SURF nos anos 1970. FOTO: TUNICO DE BIASE

Tive a oportunidade de entrevistar Betão em seu apartamento no Leblon em outubro de 2018. Aqui disponibilizarei o texto transcrito integralmente.

Estas postagens do blog são uma viagem ilustrada, seria impossível colocar em meu livro toda a riqueza, tanto de texto, como de fotos que podem ser apresentadas aqui na internet.

ALGUMAS IMAGENS DE APERITIVO – COMPILADAS POR SEU SOBRINHO

BETÃO E SEU GRANDE AMIGO STORM
COPACABANA, ANTES DO ATERRO, ANOS 1960

Nos anos 1960, quando Roberto Marques de Souza começou a surfar, o Rio de Janeiro era um paraíso, com ondas magníficas sem o crowd igual ao de hoje e praticamente nenhuma preocupação com a violência e criminalidade. Esses anos dourados do Rio são retratados no capítulo 5 do volume 1 de meu livro.

Antes de soltar o depoimento que colhi de Betão, contando a sua história no surf, acho pertinente destacar que muitos dos surfistas históricos que entrevistei (tenho uma base de 100 entrevistas realizadas para este projeto – e não vou parar por aqui), declararam com convicção que Betão era o melhor surfista do Rio de Janeiro, principalmente quando o mar ficava grande, nos espetaculares anos de “som, sol e surf” da década de 1970.

Mais informações e fotografias com legendas ao final desta entrevista que colhi com ele, tudo que estiver em negrito foi o que gravei.

Betão, setembro 2018. FOTO: DRAGÃO

Com a palavra

Roberto Marques de Souza – Rio de Janeiro – 21/9/1954

“Venho de família tradicional, já no Brasil há diversos anos, meu avô cearense, minha avó gaúcha, meus pais já nasceram no Rio. O Marques de Souza veio da parte de meu pai: Sérgio Valle Marques de Souza. O outro ramo, veio de Portugal, meu avô por parte mãe era Dias Gonçalves.

Meu pai foi um grande engenheiro civil, foi ele que fez o cálculo para a construção do Maracanã. Fez a Belém – Brasília, construiu a estrada com a sua empresa, a Sobrenco. Fizeram obras no Brasil inteiro. Algumas das maiores pontes construídas no Brasil foram feitas na época coordenadas por meu pai. A Rio – Niterói, a Ponte da Amizade, que divide o Brasil e o Paraguai, esta foi um recorde de vão livre na época. A Ponte de Estreito, ligando o Maranhão ao hoje Estado do Tocantins, construída em 1960, também foi um recorde. Ele sempre trabalhou com obras do governo.”

INÍCIO NO SURF

“Estudei no Colégio São Fernando junto com o Bocão e Fedoca. Comecei a surfar em 1964 com 10 aninhos, com uma madeirite, que foi minha primeira prancha, mandei fazer na Serraria Arpoador na R. Francisco Otaviano, mas já haviam algumas pranchas de fibra.

“Cheguei a ver o Peter Troy surfando quando ele esteve no Brasil em 1964. Lembro que nós íamos caminhando até o Arpoador juntos, eu ele e o Paulinho Proença, pela Av. Nossa Senhora de Copacabana. A gente morava em Copacabana. E ele, me parece, estava em algum hotel ali. Tenho a lembrança que em um final de tarde, caminhávamos nós três pela Av. N. S. de Copacabana, não me recordo o que vínhamos conversando, mas foi muito legal. Ele era um grande surfista na época. Para a gente foi uma coisa incrível ver o cara surfar. Um dia ele pegou um Posto 5 bom, grande. Isso em Copacabana antes do aterro.

Dava altas ondas em Copacabana inteira. Ondas boas. Peguei lá desde 1964 até antes de 1970, quando começaram o aterro. Mesmo assim durante o aterro ainda deu altas ondas. Ondas grandes, em dias de ressaca. A gente pegou também muito o Baixio, no Posto 5. Ondas de 10 pés. Mas ali peguei poucas vezes. Não era sempre que quebrava, só com ressaca. Quem caía comigo era o Bocão, tinha outros surfistas que eu não lembro o nome. Roberto Gouveia… Chegava a ter umas 10 a 20 pessoas na água, em dias bons, isso ainda na época dos longboards.

Depois com as pranchinhas também, pois quando elas surgiram não eram de 6 pés. Era 7 e tal… Para 8 pés. Mini models, 7’4”, 7’6”, 7’8”, então dava para surfar ondas grandes. Uma quilha só, pranchas esticadinhas, com pouca envergadura. Minha segunda prancha já foi uma São Conrado, longboard, com o bico flexível. O deck dela, quando chegava perto do bico ele descia, fazia uma curva e vinha a envergadura. A prancha era flexível, dava para dar hang ten. Naquela época não existiam pranchas pequenas.

Eu tive duas a três pranchas São Conrado. Depois o Penho voltou do Havaí e trouxe uma mini model, isso em 1968, e ele me emprestou a prancha. Eu gostei de cara dessa prancha, então comecei a surfar de mini model. Logo depois começaram a fazer estas mini models e aí quem fez a minha primeira mini model foi o Rico, junto com o Gagu, que morava aqui no canal do Leblon naquele condomínio de mansões. O Rico shapeou a prancha e o Gagu laminou, só que ele esqueceu de colocar o catalisador direito então a prancha ficou toda melada, não secou, ficava grudenta. Eu peguei ela assim mesmo.

Logo depois no início dos 70, ou até antes de 1970, surgiram uns americanos aqui no Brasil, surfistas, trouxeram pranchas americanas, Bhane Surfboards. Um deles trouxe uma Bhane de duas quilhas, rabeta Diamond larga. Tamanho 6’4”. Ele me vendeu essa Bhane dele, azul turquesa, linda a prancha. E essas duas quilhas dessa época, elas derrapavam. Então eu entrava nas ondas e descia com ela meio derrapando, até a base da onda. Cheguei a completar alguns 360 derrapando, fazia um looping derrapando. Isso em ondas pequenas e para a direita, que era frontside pra mim.

Nunca usei strep, nenhuma vez. Nem no Havaí, era tudo no braço. Então meu surf era o seguinte: fazer estilo e seguir o que a linha da onda me proporcionava. Eu não fazia manobras radicais, porque o meu surf… eu não podia cair, pois se eu caísse iria ter que nadar até a areia para pegar a prancha. Eu não arriscava batidas radicais que nem o Cauli Rodrigues. Eu surfava suave, suave… ‘Tem pessoas que falam que eu fui um bailarino do surf’. Quando eu comecei a surfar com 10 a 12 anos eu comecei a imitar os surfistas bons.

VIAGENS & FÁBRICA DE PRANCHAS

“Aí veio Peru 1972, Campeonato de Tablas Havaianas, foi eu Bocão, foi o Fedoca, Paulinho Proença, Marquinhos Berenguer, Rico, mais outros…

Betão em 1972 no Peru. FOTO: FEDOCA

O campeonato foi em Punta Rocas, só pedras na frente. E eu com minha teimosia de não usar o estrepe, a prancha foi nas pedras e acabou que destruiu a prancha e eu perdi o campeonato. Isso foi na minha primeira bateria, eu nem consegui completar ela.

A mãe do Gordo Barreda (um dos melhores surfistas peruanos da épca) se amarrou em mim e no meu surf. Ela também pegava onda, toda a família pegava onda, Flaco, Gordo… A mãe também surfava. Ela falou para mim, ‘Você pode ganhar esse campeonato’, fiquei todo animado, mas a prancha foi nas pedras a e assim acabou tudo.

Minha primeira viagem foi em 1972 para o Peru, eu tinha 17 anos, foi na época do Píer de Ipanema. Fiquei dois meses no Peru no verão, dezembro e janeiro. Teve o campeonato, eu fiquei surfando direto e depois fui para Puerto Chicama. Uma onda fantástica. Uma onda pequena, mas ela é tubular, perfeita, longa, dá um quilometro, a perna chega a doer de tanto ficar de pé na prancha.

Eu fazia o seguinte: eu levei aquela Bhane Surfboards, de 2 quilhas. Descia de pé trocado, aí eu virava, dava uma batida e destrocava o pé, descia e chegava embaixo trocava de novo. Ficava fazendo isso. A onda permitia. No final é que ela acelera um tubo e você vai até ela te engolir. Aí você tem que sair e voltar caminhando pela praia. Ela quebra paralelo à areia, a onda quebra acompanhando a linha da praia. A onda de Chicama não quebra de frente para a areia”.

HAVAÍ 74

“Eu e Bocão, fomos juntos. Nós chegamos no Havaí e logo conhecemos um senhor que trabalhava no aeroporto, que morava no North Shore, alugamos uma casa com ele. Quando ele acabou de trabalhar, já de noite, nós fomos no carro dele para o North Shore. Chegamos lá, ele tinha um quarto pra gente. Nós dormimos e antes de amanhecer nós pegamos nossas pranchas e saímos andando para descobrir as praias. A casa ficava entre Waimea e Pipeline, na rua Ke Iki.

Fui para lá em 1974, depois em 1975 voltei.

No Havaí minha onda preferida era Sunset Beach e eu pegava ondas junto com o Eddie Aikau, direto, eu ficava sentado do lado dele. Para mim ele era o melhor havaiano. Eu era fã dele. Levando em conta o estilo ele era o meu preferido. Eu ficava do lado dele lá fora esperando a série vir. Nunca conversei com ele, mas eu lembro que nos olhávamos com o maior respeito. Ele olhava as minhas ondas e eu olhava as dele. O meu negócio, o meu surf, era muito zig-zag, muito movimento, então eu dropava as ondas já fazendo esse zig-zag. Não dropava reto. Eu não trocava a borda, mas eu já descia sem estar parado, já fazendo um movimento assim (mostra com as mãos), para acelerar. Aparece no filme (“Nas Ondas do Surf”) uma onda minha em Sunset, eu fazendo isso, bem agachadinho”.

OUTRAS INFLUÊNCIAS

“Barry Kanaiaupuni eu era muito fã dele. Ele fazia uma outra manobra que eu achava linda. Era o seguinte, ele descia em Sunset reto, quando chegava lá embaixo, ele virava um pouco e estolava, quando ele estolava a prancha subia. Ele chegava no topo, soltava e descia até a base, aí ele estolava de novo. Tem filme que mostra ele fazendo isso. Para mim ele era dos melhores. Nas últimas vezes que fui para lá foi ele quem shapeou as minhas pranchas. Ele me fez uma 8’4” para Sunset e Pipeline e uma 9’4” para Waimea.

As pranchas pequenas eu que shapeava. No Havaí cheguei a fazer algumas pranchas menores para mim. Mostra a prancha da foto no Pepino. ‘Essa eu shapeei lá.’ Deve ser uma 6’2” ou 6’4”. Rabeta Diamond. Escudo do Paul Gordinho, era a marca dele de roupas, ele vendia uns casacos de couro. Tinha uma loja em Honolulu. O Bocão é bem amigo dele. Até hoje.

Betão e Bocão, Recreio dos Bandeirantes, 1981. FOTO: GORDINHO
Betão na sala de shape. FOTO: FEDOCA

“Eu shapeei, ainda faço umas pranchas até hoje, mas eu fiquei fora da mídia, me afastei um pouco do surf porque eu só pegava ondas em Saquarema. No final do meu surf eu só surfava em Itaúna e nos finais de semana. E a mãe do meu filho pegou a minha casa lá em Saquarema. Perdi a casa. Parei de pegar onda porque eu só pegava onda lá.

Quando eu era mais novo pegava aqui no Pontão do Leblon. Mas quando fiquei mais velho eu só surfava em Itaúna. Eu não ia para a Prainha, não ia para o Arpoador. Não ia para lugar nenhum. Minha fábrica de pranchas foi em Saquarema: Bocão & Betão. Durou uns 3 a 4 anos durante os anos 1970.

Nos anos 1980 voltei a morar em Saquarema e voltei a fazer pranchas, abandonei a faculdade de arquitetura, acabei não conseguindo me formar por causa do surf. Parei de estudar por uns três a quatro anos e perdi o pique de estudo. Tentei voltar para a faculdade várias vezes, porque eu gosto muito de arquitetura. E como eu era bom em matemática, em cálculo essas coisas, eu tirava nota 10. Mas quando tinha que ler alguma coisa para passar era complicado. Eu pensei, ‘Pô, vou passar o resto da vida preso aqui nessa faculdade e não vou sair mais’. Aí eu decidi voltar para Saquarema, construí uma nova oficina, em um outro terreno, na mesma rua. Construí uma casa para fazer a minha oficina, contratei um laminador e um pintor. Eu shapeava. Tinha uma sala grande para pintura – Air Brush. Na verdade eu nunca me sustentei com a fabricação de pranchas. Era meu pai que segurava a onda. Na época das pranchas Bocão & Betão a gente ganhou um dinheiro, compramos um terreno, compramos uma Kombi. Viajamos para o Havaí, mas sabíamos que tínhamos os pais na retaguarda. Para qualquer sufoco ajudar.”

Waimea Bay, Betão no meio, Eddie Aikau na base. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

HAWAII

“Outra coisa que eu fazia também, quando vinha série. Eu subia até o topo da onda em Sunset. Quando chegava lá em cima eu virava e botava para baixo, entrava praticamente sem remar. Eu sentava na prancha, virava a prancha bem rápido e descia sem remar. Isso em Sunset grande. Eu nunca vi ninguém fazer isso, apenas um amigo meu que já É falecido, de Saquarema, era um bom surfista, mas nunca teve oportunidade de viajar para fora. Ele chamava Claudinho Naja. O apelido dele era Naja, baixinho, pegava muito bem para a direita. Ele fazia isso em Itaúna grande também. Ele foi a única pessoa que eu vi fazer isso. Nem no Havaí eu vi alguém fazer isso naquela época das gunzeiras.

Pipeline eu peguei uma vez perfeito, com uma 8’4” Barry Kanaiaupuni, era a mesma prancha que eu usava em Sunset. Peguei um final de tarde com umas 10 cabeças no mar. Entrei estava uns 8 a 10 pés. Não estava muito grande. Mas Pipeline é uma onda que você não pode entrar atrasado. Você tem que remar com antecedência. Ali eu descia reto e quando chegava na base eu continuava reto, mais um pouco… e quando eu virava já entrava lá dentro, de backside. Ficava escondido lá dentro até sair. Aí eu subia, dava um cutback e a onda acabava assim…

O Otávio Pacheco estava na areia vendo e não acreditou que era eu, falou: ‘Pô, Betão, que onda! (p que p)’. Foi um dia bem no final de tarde, pôr do sol, tinha poucas pessoas no mar. Estava perfeito.

Lá eu surfava sempre sem cordinha. Foram quatro temporadas 74, 75, depois 76 para 77. Outra vez foi em 1988. Fiquei quatro meses, fui fora de temporada, mas peguei boas ondas em Sunset. Surfei um Waimea pequenininho. Poucas vezes eu peguei Pipeline, algumas eu fui para a direita lá e é um perigo danado. Fica raso no coral e a onda fecha.

Depois eu fui em 1994, só para visitar. Eu já estava muito gordo, já praticamente não surfava mais. Nesse ano eu não levei nem prancha, fui para curtir. Ficava em hotel em Honolulu, com carro alugado, cheio de dólares no bolso para fazer compras, fazer turismo. Mas eu ia todo o dia cedinho para o North Shore, pegava essa van alugada e passava o dia lá. Final de tarde voltava para dormir no hotel em Honolulu, no South Shore. Tomava uma cerveja no pub todas as noites, eu gostava muito de beber naquela época. Um pôr de sol muito bonito, colorido por cima. Fui só para curtir, umas duas semanas. Lá fiquei muito amigo do Glenn Kaulukukui, nessa última vez que fui colei nele.”

CAMPEONATO DE SAQUAREMA

“Lembro que em 1975 teve o campeonato de Saquarema, o primeiro, e eu havia trazido uma prancha do Bill Stonebraker, eu ganhei o campeonato com essa prancha. Era um 8’4”. O mar estava 10 a 12 pés, inclusive muitos surfistas não tinham prancha para pegar aquele mar enorme. Tem até uma onda minha no Canal 100 – aquele do Niemayer. Aparece uma onda minha no campeonato, só uma passagem rápida. Durante o campeonato que estava bem grande.

Nesse campeonato foi o Kadinho que tirou segundo lugar. Ele estava com uma gun do Barry Kanaiaupuni, que ele havia trazido do Havaí. Acho que Rico, Paulinho Proença, Otávio e Maraca estavam na final. O Bocão não conseguiu se classificar.”

Betão negociando com uma sessão pesada de Itaúna no campeonato de 1975. FOTO: TUNICO DE BIASE

Para mim, meu resultado mais importante foi a vitória em Saquarema porque eu lutei até a última gota de sangue para ser o primeiro lugar, sabe. Eu perdi a prancha duas vezes, tive de ir até a areia buscar a prancha na final. Por isso que o pessoal vibrava, deveria ter umas 1000 pessoas e gritavam: ‘Vai lá Betão, vai lá Betão!’ Eu pegava a prancha e saia correndo para entrar pelo canal. Isso foi duas vezes durante a final. Foi uma bateria de 40 minutos. Eu estava bem preparado. Foram só esquerdas nesse dia. As ondas começavam a quebrar uns 100 metros para trás da laje. Eu e o Kadinho que tirou segundo conseguíamos pegar as maiores ondas e melhores, porque estávamos com as pranchas certas para aquele mar, eram as pranchas maiores. Eu dropei as maiores ondas. E mais para o inside quando saíamos das ondas, que elas acalmavam, tinha uma linha em diagonal de água branca definida e conseguíamos voltar remando numa boa. A gente descansava no caminho. Voltávamos tranquilo até atrás da laje. Não precisávamos furar nenhuma onda, íamos voltando na diagonal. Lá fora uns 10 a 12 pés, umas ondas de uns 4 metros. Eu nunca peguei um mar maior e mais perfeito que esse em Saquarema. A ondulação subiu de leste. Não foi de sudoeste. Normalmente o mar sobe de sudoeste, depois vira para leste e aí que fica bom. Quando começa a baixar. Esse veio de leste, por isso que já entrou “clean”, grande e clean (limpo)!

Ubatuba eu cheguei em três finais, nos primeiros eventos. Foram anos seguidos. No Píer, o campeonato que o Otávio ganhou, eu tirei quarto lugar. Para aquele campeonato do Píer eu fui o pôster com o Pepê em cima.

O Píer foi fantástico, era uma onda perfeita para esquerda e também tinha o Píer Backdoor, com sudoeste que dava quando o mar estava grande. Surfei ali com o Bocão.

Foi o início da nossa era, todo mundo com 17, 18… Os mais novos com 15 anos. Os metralinhas que eram o Ludovico, Broca, os outros mais novos, o Ramon…”

Betão no Backdoor do Píer. FOTO MÚCIO SCORZELLI

“Hoje ainda tenho um pranchão 9’10” novinho, está aqui na garagem. Não tenho caído mais. De vez em quando eu pega a prancha ainda dou uma remada, pego o longboard. Remo um pouco aqui em frente mesmo no Leblon. O mergulho no mar é uma coisa muito boa. Outro dia entrei no mar, só dei uma remada. Hoje eu coloco o estrepe, porque aqui tem uma correnteza, é mais para sair do mar tranquilo. Tem o problema que eu fui fumante, sempre fui, desde garotinho. Agora, quando eu fui para o Havaí a primeira vez, em 1974, eu parei de fumar no avião. Decidi levar a sério, queria ter bastante folego para pegar as ondas grandes. No Havaí eu não fumei.

Bebi praticamente a minha vida toda, até os 50 anos, foi quando eu decidi diminuir… até parar.

Betão, 2018, em seu atelier no apartamento do Leblon. FOTO: DRAGÃO

Nosso amigo ainda não largou o cigarro. Nas paredes de sua casa quadros e muitas imagens das ondas que surfou pelo mundo e principalmente em Saquarema e no Rio de Janeiro.

ABAIXO MAIS UMA PEQUENA AMOSTRA DO ESTILO QUE ERA IDOLATRADO POR MUITOS

O Píer foi o mais explosivo palco do surf carioca de 1970 até 1974. FOTO: BENTO BERENGUER
Foto do cartaz do campeonato PÍER ’72, com Pepê Lopes observando a categoria do mestre. FOTO: MÚCIO SCORZELLI
Atacando uma direita lisa em Punta Rocas, Peru. FOTO: FEDOCA
Em Saquarema, já no revival dos longboards. FOTO: FEDOCA
Em Backyards, no Havaí. FOTO GORDINHO

BREVE incluirei mais imagens que recebi compiladas por seu sobrinho, Eduardo Mattos e alguns depoimentos que venho colhendo.

4 thoughts on “BETÃO MARQUES DE SOUZA

  1. Mario Luis Pola says:

    Grande Betão…final dos 80 ia muito no meu bar lá em Itaúna.Fabio e Otavio Pacheco,Dantón,Claudio Naja,Bentinho,Antonio(bafo de onça),Rico,Dado,Fedoca, etc etc etc.Boas Hoje moro em Búzios e guardo boas lembranças daquela época.
    Mario Luis Pola

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